Vomitar “de vez em quando” é normal?!

 

Se partirmos da premissa de que todo o líquido existente no organismo de todos os animais (e em nosso organismo também) é importante tanto para o equilíbrio de substâncias nele dissolvidas quanto para a manutenção da adequada hidratação corpórea, a resposta se torna fácil:
Não! Vomitar repetidamente – ainda que em baixíssima frequência – tem uma causa a ser identificada, e não é normal.

Nem mesmo com os gatinhos, que costumam “eliminar bolas de pelos”, devemos interpretar como “normal”. Vamos explicar melhor, adiante!

Para explicar melhor o processo do vômito e suas diferentes causas, ele precisa ser diferenciado da regurgitação: O regurgitar ocorre invariavelmente após a ingestão acelerada de partículas de alimento, que logo após chegarem no estômago, são expulsas ao meio externo. Também invariavelmente, a regurgitação tem como conteúdo eliminado o alimento recém ingerido, ainda nada degradado pelo processo digestivo.

Animais muito ansiosos, ou aqueles que recebem oferta de alimento com intervalos de tempo muito longos podem regurgitar sem que esse acontecimento envolva algum processo de doença. Entretanto, se a frequência da regurgitação é muito alta ou se o animalzinho perde peso nesse processo de tantas ocorrências, há também a necessidade de se pesquisar, junto com o médico veterinário, diagnósticos que cursam com a regurgitação frequente, como o “megaesôfago”, por exemplo. Também, pode simplesmente ser o caso de estudar com o médico veterinário mudanças na dieta ou no jeito e frequência da oferta do alimento em casa, com a intenção de reduzir o número de episódios.

Já o vômito propriamente dito consiste na eliminação de conteúdo semi digerido ou completamente digerido, acompanhado de secreções estomacais, biliares e às vezes até intestinais. Nesse processo, o organismo de quem vomita perde elementos preciosos ao bom funcionamento do organismo – eletrólitos como o potássio, o cloro, entre outros – e também perde volume líquido, igualmente precioso, que gera o processo de desidratação.

Uma informação interessante: o episódio de vômito ocorre sempre após a “mímica do vômito”, que são aqueles movimentos involuntários que o seu animalzinho manifesta antes da eliminação de conteúdo. Então fique atento! Pois a ocorrência dessa “mímica” é uma boa maneira de diferenciarmos a simples regurgitação, do vômito.
Outra informação muito importante: O vômito é sempre considerado um sinal clínico, e nunca o diagnóstico final do que está “errado”. Esse sinal clínico pode estar presente juntamente de muitas outras manifestações, variáveis de acordo com uma grande gama de doenças. A partir dessa informação, fica clara a necessidade da realização de exames – que podem se tornar muitos – na adequada investigação da causa (diagnóstico final). E também nem seria preciso citar, mas é somente diante do correto diagnóstico que o médico veterinário terá condições de direcionar ao seu companheiro o tratamento ideal. Por isso, aqui vai um conselho: Ache bom quando o seu médico veterinário solicita exames, pois os tratamentos de vômito sem determinação do diagnóstico têm grande chance de não resolver o problema em definitivo, e pode fazer com que você invista em tratamentos e medicações desnecessariamente!

A seguir, listamos os diagnósticos mais comumente alcançados na rotina clínica do nosso Hospital, em pacientes que nos são apresentados manifestando vômito.

Ingestão de corpo estranho

Gastrites

Enterites (inflamação em intestino)

Doenças renais

Distúrbios alimentares / mudanças na dieta

Alergia alimentar (doença intestinal inflamatória)

Infecções por Verminoses

Doenças da vesícula biliar

Neoplasias (tumores) em diferentes órgãos, especialmente aqueles relacionados à digestão

Hepatopatias (inflamações e outros processos afetando o fígado)

Pancreatite aguda ou crônica

Obstruções urinárias

Infecção por Giardíase

Reações de Hipersensibilidade

Doenças infecciosas, tais como parvovirose e cinomose

Fica nítido que a triagem mais adequada de exames, no caso do seu animalzinho estar apresentando vômitos, pode variar bastante, e por isso somente um bom exame clínico realizado após a colheita de uma série de informações de histórico são capazes de definir, para o médico veterinário, o melhor caminho a seguir.

Mas, entre todas as informações que a equipe clínica do Anima pode lhe transmitir sobre vômito, as mais importantes são:

  • Não deixe que o processo de vômito (perda de líquidos corpóreos e eletrólitos importantes) do seu Pet se torne um problema crônico! Quando o paciente que vomita é trazido ao Hospital para atendimento logo que os vômitos iniciaram, o tratamento de suporte pode ser rapidamente estabelecido e o paciente não chega a sofrer de consequências comuns como o desequilíbrio de eletrólitos, a desidratação e perda de peso, que são tão prejudiciais!
  • Não medique seu animalzinho em casa, sem orientação veterinária! Alguns medicamentos comuns para humanos, nesses casos, podem agravar a condição do seu Pet ou até mesmo intoxica-los.
  • Se você tem um gatinho como companhia, prometemos mais cedo lhe explicar o porquê não devemos interpretar como sendo “normal”, a ocorrência de vômito para a eliminação das “bolas de pelo”. Então preste atenção:
    A biologia e a fisiologia é perfeita. A via natural para a eliminação da maior parte dos pelos ingeridos é a defecação, exatamente para que não haja perda de elementos essenciais ao organismo, como líquido e eletrólitos que mencionamos várias vezes nesse artigo.
    Por isso, leve à sério: Se o seu gato frequentemente elimina pelos ingeridos via vômito, ele precisa do auxílio de um médico veterinário!

Se, de alguma forma, esse artigo te ajudou a identificar que o seu pet precisa de uma pesquisa diagnóstica para descobrir o porquê de alguns vômitos… entre em contato o quanto antes com nossa equipe, e agende uma avaliação. Esse cuidado pode fazer toda a diferença, elevando a qualidade de vida e a saúde geral do seu tão querido companheiro.