Existem muitos diagnósticos para as lesões ocorridas na pele dos animais de companhia, mas, se o seu cãozinho ou gatinho frequentemente apresenta coceira, “vermelhidão” na pele ou no ouvido, e lesões diversas, há uma grande chance de ele sofrer de alguma, dentre as diversas causas de dermatite alérgica.

Nesses casos, a primeira orientação importante está relacionada à paciência necessária durante a triagem diagnóstica! Ela será capaz de definir a causa da alergia, mas o processo de diferenciação das causas de dermatite alérgica… exige algum tempo e dedicação.

Mas fiquei tranquilo e não desanime, pois existem medicamentos capazes de trazer conforto ao seu pet, para que ele não sofra com tanta coceira enquanto a pesquisa diagnóstica é realizada.

O início da triagem:

Antes do Médico Veterinário cogitar qualquer causa alérgica, ele certamente irá indicar alguns testes capazes de descartar a possibilidade de sarnas ou infecção fúngica. Eles são rápidos, e caso algum desses diagnósticos sejam confirmados, o tratamento é estabelecido, dando fim ao problema. Quando esses testes iniciais têm resultados negativos, inicia-se a triagem diagnóstica para as causas de alergia. Em ordem de maior incidência na rotina das clínicas e hospitais veterinários, são elas:

  1. Dermatite alérgica à saliva de ectoparasitas (tipicamente, pulgas e carrapatos):

O primeiro grande erro está em, logo de início, julgar que essa não é uma possibilidade diagnóstica, somente porque você “não vê parasitas no seu pet”. Ou, porque você “viu somente uma pulguinha, mas logo a removeu, e isso já faz mais de 1 mês”. Ou, ainda, que “regularmente, a cada 2 ou 3 meses, você aplica medicamentos antiparasitários e por isso é impossível que o seu pet tenha sido picado”. Por último, é comum ouvirmos no consultório: “Meu pet não sai de casa, não passeia. Impossível que tenha pulgas”.

As verdades são:

  • Que o paciente alérgico à saliva de ectoparasitas pode se coçar por até 90 dias após uma única picada;
  • Não é necessário que o tutor veja / encontre o parasita no pet, pois esses parasitas dão predileção ao pet e não à família (ele pode não ser visto e ainda assim, gerar todo o problema);
  • A grande maioria dos medicamentos antiparasitários tópicos (aplicados sobre a pele) têm ação comprovada de 30 dias, sendo que os animais alérgicos necessitam, a bem da verdade, de aplicações mais frequentes do que os 30 dias garantidos pelos fabricantes.
  • Pets que não saem de casa também estão expostos, porque a família sai de casa, e pode levar (carrear) em seus calçados, vestimentas, formas imaturas ou até mesmo maduras desses parasitas.

Resumindo: Ainda que você nunca tenha visto uma única pulga ou carrapato, e ainda que você use regularmente antiparasitários no seu pet, ele pode sim ser alérgico a picadas / saliva desses parasitas.

No primeiro passo da triagem: O Médico veterinário irá te orientar quanto ao uso frequente de antiparasitários (de ação tanto no animal quanto no ambiente), na frequência certa, com a certeza e não haver picadas no pet pelo tempo mínimo de 60 a 90 dias. Caso ele permaneça apresentando sinais, ele passará para o segundo passo da triagem diagnóstica:

  1. Alergia Alimentar:

Parece estranho, mas animais com doença intestinal inflamatória (sinônimo de “alergia alimentar”) podem apresentar – e com muita frequência – sinais dermatológicos de prurido (coceira), infecção e lesões na pele e no ouvido (otites).

Geralmente, esse diagnóstico é cogitado após a triagem da alergia à saliva de parasitas externos, a menos que existam também sinais concomitantes que envolvam o sistema gastrointestinal, como alteração no aspecto das fezes, vômitos, inapetência, que podem inclusive ser esporádicos.

Para essa triagem, o Médico veterinário indica e inicia uma dieta especial, de catacterística Hipoalergênica. Ou seja, com características peculiares, capazes de “enganar” o sistema imunológico intestinal do paciente, fazendo com que ele pare, a médio prazo, de reagir contra a dieta.

É um grande erro, quando o tutor confunde “dieta de excelente qualidade”, com “dieta que causa alergia”. A verdade é que qualquer dieta (não hipoalergênica), de boa qualidade ou não, é capaz de causar a alergia alimentar se o paciente for, de fato, alérgico. Com isso, é de grande importância que o tutor, durante essa triagem, utilize exclusivamente a dieta estipulada pelo Médico Veterinário, sem qualquer fuga à essa regra, porque…

A verdade:

É que o cão ou gato alérgico alimentar reage alergicamente por até 90 dias após a ingestão de qualquer quantidade de um único elemento não hipoalergênico! Conclusão: a dieta deve ser seguida à risca, pois não haverá conclusão diagnóstica, se ele consumir a dieta prescrita “junto de alguns petiscos”, durante a triagem.

Tanto empenho da sua parte nessa fase tem suas vantagens, pois caso o seu cão seja um alérgico alimentar, a tendência é que após os 90 dias, todos os sinais sejam (pelo menos) muito amenizados: eventuais vômitos, diarreia, desconforto dermatológico, ou otites…

Caso sejam adequadamente descartados todos os diagnósticos acima, o Médico Veterinário passa a considerar como diagnóstico:

  1. Dermatite Atópica (Atopia):

Após tanto empenho diagnóstico (por parte do tutor e do veterinário) na triagem inicial, ao falarmos da Atopia, muitas vezes enxergamos desânimo e uma natural falta de compreensão, do que esse diagnóstico se trata.

A Atopia é uma doença hereditária causada por hipersensibilidade do indivíduo a diferentes elementos presentes no meio ambiente ou até no ar, difíceis de serem identificados ou – mais do que isso – difíceis de serem “afastados” do indivíduo alérgico, tais como: gramíneas, pólen, ácaros domésticos, poluição, etc.

Com isso, assumimos que um cão ou gato possui Dermatite Atópica, sempre através da exclusão das demais causas, quando todas as triagens aqui citadas foram realizadas adequadamente, e ainda assim o paciente permanece com sinais dermatológicos (mesmo que esporádicos) de coceira (prurido), vermelhidão, e infecções transitórias de pele e ouvido.

O tratamento, nesse caso, é estabelecido na certeza da necessidade de proteção, hidratação e restabelecimento da barreira natural da pele contra a entrada de sujidades e agentes ambientais. Atualmente, muitos produtos e medicamentos de alta tecnologia e eficiência estão à disposição no mercado veterinário, de forma que – diante de uma adequada definição da causa do problema – contamos com a possibilidade de diagnósticos assertivos, muito sucesso terapêutico, e alívio para os pets!

Mas, muita atenção:

O diagnóstico e tratamento adequados só podem ser alcançados junto do trabalho de um profissional Médico Veterinário. Se você identificou a necessidade de diagnóstico e tratamento dermatológico do seu pet ao ler esse artigo, entre em contato com a nossa equipe e agende, o quanto antes, uma consulta do seu pet com a nossa Dermatologista!