Confira quais observações você pode fazer no dia a dia, que dirão muito sobre o estado de saúde dele.

Em tempos de quarentena e distanciamento, é normal que a nossa rotina sofra impactos e mudanças. Mas, além de você, existe outro serzinho que sofre com as trocas de planos: o seu pet.
Observar seu amigo nessa quarentena é sempre indispensável, e pode ser mais fácil agora que você e ele passam mais tempo juntos, dentro de casa.
Nas fases iniciais de um problema de saúde, ninguém melhor do que o próprio tutor do Pet para notar que, de alguma forma, algo mudou. Como sempre obtemos muito mais sucesso nos tratamentos quando a patologia é diagnosticada precocemente, a observação dos tutores é essencial.
Outro ponto importante é o fato de que, nessa fase precoce, é muito comum que o médico veterinário ainda não detecte qualquer anormalidade ao avaliar parâmetros como a temperatura do animal, a coloração de suas mucosas, o nível de hidratação, a qualidade de auscultas (cardíaca e pulmonar) ou alguns tipos de lesões muito iniciais.
Para aprimorar ainda mais o seu olhar sobre alterações sutis que podem surgir no comportamento e no dia a dia do seu pet, criamos uma série de dicas, que você vai conhecer agora:


O comportamento normal do Pet
Os animais podem nos dizem muito a respeito de seu bem-estar, através do comportamento geral. Especialmente os cães, costumam mudar o comportamento quando não se sentem bem por qualquer razão, de modo que seus tutores facilmente notam. Já os gatos, tendem a se “entocar”, se esconder, quando algo está errado, e seus tutores podem ter mais dificuldade em notar mudanças cotidianas.
Com o avançar da idade, é natural que cães e gatos se tornem menos ativos e durmam mais horas por dia, mas não é normal que essa mudança ocorra repentinamente, em poucos dias! Por isso, se mantenha continuamente atento ao comportamento diário do seu Pet, em diversos aspectos como: proximidade entre vocês, nível de atenção aos seus comandos e chamados, atenção aos estímulos externos, ou o tempo que ele costuma dedicar às brincadeiras e agitações com a família.
Tutores de gatos, procurem sempre se manter atentos à rotina diária do Pet. Gatos são bastante metódicos e costumam realizar as mesmas atividades, nos mesmos períodos do dia. Ao notar mudanças dessa rotina, encontre-o em seu “esconderijo” e passe a observá-lo de perto.


As atividades físicas usuais do Pet
Observar a mudança de tipo de atividades, ou o surgimento de “adaptações” nas atividades diárias usuais do seu Pet pode indicar o surgimento de algum grau de dor. Por exemplo, cães que adoram pular no sofá para brincar, passam a brincar no tapete da sala. Ou, gatos que até pouco tempo atrás, davam preferência a lugares altos da casa, deixam de subir tão alto, ou “ensaiam” seus pulos por um tempo maior.
Dores articulares ou em coluna podem surgir de modo agudo, abrupto, ou evoluírem gradativamente ao longo de muito tempo. No segundo caso pode demorar muito até que os tutores notem que algo está errado. Uma maneira simples de tentar averiguar se o seu Pet tem algum grau de dor em seus ossos e articulações é acostumá-lo desde cedo a ser manipulado com carinho.
Se você acha que seu Pet tem poupado grandes movimentos ultimamente, em um momento de relaxamento do seu Pet, vá até ele e intercale carinhos com movimentos vagarosos em suas articulações – do joelho, cotovelo, ombro; abra seus dedinhos, toque as regiões da coluna. Diante de choro (vocalização) ou atitude dolorosa, contate seu veterinário e descreva a ele o que você notou.


O nível de conforto e relaxamento do Pet
Como nós, cães e gatos com boa saúde geral são capazes de relaxar e dormir profundamente. Mesmo acordados, podemos notar até mesmo em suas feições, o estado de relaxamento e ausência de qualquer mal-estar físico.
Em algum horário do dia ou da noite, seu Pet costuma dormir por tempo mais prolongado e, também assim como nós, se não há um estímulo muito grande externo, esse sono não deve ser interrompido naturalmente. Por outro lado, quando cães e gatos apresentam problemas em vias aéreas; dores ou desconfortos diversos (coceiras contínuas, por exemplo), eles podem demonstrar um sono constantemente interrompido, e isso pode ser facilmente notado por seus tutores. Por isso, observem: como o seu Pet tem dormindo?


A qualidade de sua pele e pelagem
Valendo para cães e gatos que não apresentam problemas crônicos específicos da pele (e que exigem diagnóstico e tratamentos direcionados), podemos considerar a qualidade da pele e dos pelos como um reflexo da saúde geral do Pet. Vá até o seu Pet e observe:
Seu pelame tem boa cobertura, brilha, não apresenta falhas naturais ou queda excessiva? A pele é hidratada, macia, íntegra, sem descamações? Essa é a descrição do que temos por ideal! Um desconto pode ser dado a animais mais senis, quando a pelagem pode se tornar naturalmente menos vistosa e brilhante; a pele menos elástica, e não necessariamente podemos julgar que haja déficit de saúde por isso.


O interesse do Pet pelo alimento e a manutenção do seu peso corpóreo.
Disfunções em diversos órgãos e sistemas geram alteração do interesse do Pet pela ingestão de alimento e água diárias, variando tanto para mais, quanto para menos! Da mesma forma, variações no peso do animal (para mais ou para menos), pode ser um indicativo de problemas de saúde, que precisa ser investigado.
O esperado é que o Pet, seja ele um cão ou gato, mantenha seu peso corpóreo dentro de limites normais para a espécie, idade e porte, sem grandes variações. E, também, que não haja grandes variações de seu interesse pela água ou alimento.
Quando falamos de alterações dignas de nota nesse sentido, tudo é possível: dependendo da patologia presente, é possível que um animal se alimente em excesso e ainda assim emagreça (como no caso da diabetes, da insuficiência pancreática exócrina, ou do hipertiroidismo); é possível que ele se alimente sem excessos, e ainda assim engorde demais (como no caso da obesidade, de doenças articulares crônicas, ou hipotireoidismo).
Uma dica muito útil para os tutores, é a de observar muito bem o comportamento do Pet diante do alimento: se ele demonstra interesse, tenta comer mas desiste, é muito possível que o problema esteja localizado em sua cavidade oral; mas se ele, diferente disso, ele não demostra interesse ou manifesta qualquer sinal de “aversão” à oferta do alimento, o problema precisa ser investigado através de checkups mais completos – para averiguação da funcionalidade do sistema gastrointestinal, rins, fígado e pâncreas, por exemplo.


O interesse e frequência do Pet para a ingestão hídrica
Ao contrário do que muitos pensam, quando um Pet – cão ou gato – passa a se interessar mais pela água do que de costume, este pode ser um sinal de disfunção renal. Beber muita água pode indicar que os rins estejam falhos em sua função de “poupar água para o organismo, concentrando a urina”, ou seja, que estejam deixando algum volume anormal de fluidos do organismo irem embora, junto com a urina. Quando isso acontece, o animal passa a sentir mais sede e, na intenção de normalizar sua hidratação, ingere um maior volume de água do que normalmente, antes, ingeria.
Fique atento e procure mensurar o volume de ingestão hídrica média do seu Pet. Ao notar aumento repentino dessa ingestão, não associada a atividades físicas mais intensas ou dias muito quentes, informe o médico veterinário da sua confiança!


O aspecto e a atitude do Pet no momento das eliminações (fezes e urina)
É muito importante que nós, responsáveis pela saúde de nossos Pets, estejamos sempre bastante atentos ao aspecto de suas fezes e urina. Características anormais das fezes podem incluir odor mais fétido, aspecto pastoso ou líquido, eliminação de muco e/ou estrias de sangue, sangramento vivo no final da defecação, escurecimento (fezes enegrecidas) ou uma coloração esbranquiçada das fezes. Cada uma dessas características pode ser avaliada pelo médico veterinário e podem, por si só, nos dar dicas do tipo de problema enfrentado (inclusive, de sua localização!).
Na urina, podemos eventualmente verificar também alterações que incluem um odor mais fétido, colorações anormais como “cor de coca-cola”, uma coloração alaranjada intensa (“neon”), ou esbranquiçada (sugerindo a formação de pus). Inflamações da bexiga podem tornar a urina avermelhada ou rosada, indicativos da presença de sangramentos. Ainda, animais que estão anormalmente formando e eliminando cristais urinários, quando estes estão presentes em grande volume, podem eliminar urina juntamente com um conteúdo similar a “areia”.
Também é muito interessante que possamos avaliar a atitude do Pet, ao urinar ou defecar. Isso porque, diante de inflamações, infecções ou cólicas, pode haver dor nesse momento. Quando um Pet elimina fezes ou urina sentindo dor, é possível que ele vocalize (chore), ou assuma uma postura diferente do usual. No caso especialmente dos felinos, é comum que ocorram eliminações em locais “errados”, fora da caixinha de areia.